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28 novembro 2018

Pelos 'Becos da memória' de Conceição Evaristo

Conceição Evaristo
© Richner Allan
Em uma linguagem que envolve totalmente o leitor ao que está acontecendo na obra, e a realidade vivida, assistida e sofrida pela Conceição Evaristo. Quando soube da existência dessa incrível escritora, a minha vontade e o meu desejo de escrever transbordou em palavras, molhou as minhas mão e a criatividade não deixou que o papel fosse desfeito em meio a tantos riscos e rabiscos de ideias, frenéticas e ágeis tanto quanto a imaginação fluía lendo o romance memorialista escrito por ela - uma memória doce, que logo mais traria o sabor amargo da pobreza, da miséria, a relembrança da fome agora materializada em letras e os choros de esperanças fragilizadas pelas pedras pontiagudas cravadas na vida, e no coração, de cada um que participou silenciosamente e grandiosamente em sua vida, agora, com parte de suas vidas gravadas em algo que posso chamar de obra de arte. 

Pois o impacto, as semelhanças com a realidade vivida por aqueles que sempre foram deixados às margens da sociedade, e centralizados quando podiam ser explorados, ainda são muito semelhantes a atualidade. Conceição dá detalhes que enriquece o personagem, humaniza os sentimentos e nos convida sutilmente a participar das festas em que deixava a favela com mais felicidade e harmonia, quando os moradores deixaram a tristeza de lado para animar-se e preservar a união. A todo momento poderá sentir o que se passa, relembrar momentos semelhantes ao escrito e em cada personagem, depositar um sentimento, a semelhança de um conhecido ou feitos durante a sua vida - de verdade, vivi toda a história, ao mesmo que lia e contemplava todo acontecimento.

Com um aperto no peito, e quase com lágrimas nos olhos, fecho e completo a leitura de 'Becos da memória'. Li nas madrugadas de ansiedade, refleti sobre nos períodos de insônia, e se tornou o único livro que guardei na mochila e dediquei minutos (e até horas) da minha atenção, e um dos poucos que deu-me criatividade o suficiente para desconhecer quem sou, e reconhecer através de memórias o que há de mais belo, incrível e fascinante na minhas experiências e descobertas no meu decorrer da vida - até o momento. Nós somos feitos das nossas memórias, daquilo que vivemos e estamos presenciando. 

| 'Os sonhos dão para o almoço, para a janta, nunca.'

É quase impossível não sentir os conselhos vagos e dados em todo decorrer. É impossível não se apaixonar a cada paragrafo lido. É impossível não ler com seriedade e atenção até mesmo nas descrições mais eróticas - nas poucas vezes contidas -, nos mais tristes caminhos traçados pelos que habitavam a favela e as suas vivências mais apavorantes de imaginar-se vivendo, que infelizmente, é uma realidade muito próxima, esquecida e pisoteada como se amanhã fosse resolver-te naturalmente. Empurrado pela própria barriga murcha pela miséria de vida.


© Reprodução/Divulgação

Critica política, social, habitacional. De fato, duzentas páginas reuniu milhares e milhões de vidas, resumiu todas em uma única obra, e todos os sentimentos humanamente sentidos foram passados por juntas de letras, formaram-se frases de profunda amargura que nunca adocicaram a boca do povo negro, que até os dias de hoje, vive na mira do estado e da casa grande que visiona nos explorar. Explorar os nossos sonhos. Explorar as nossas vontades. Explorar. Um suspiro forte e profundo pôde ser ouvido de mim durante toda leitura, a realidade nunca foi tão bem retratada. A realidade foi retratada. A realidade está escrita como se fosse décadas atrás, mas continua sendo vivida a cada segundo que passa. As histórias, as vidas ali aprisionadas estão sendo representadas por uma mulher de garra, força, fé e criatividade. Do batuque da congada, na marginalização dá fé negra quando adeptos da religião embranquecida, ao mais profundo desejo de conquistar o espaço seu. E mais do que nunca, o preconceito, a marginalidade, a dificuldade de ser, estar e viver, foi simplificada, ditada e aclamada no nome de Conceição Evaristo.

E apesar calma e vaga como a brisa da miséria descrita em ricos detalhes, as suas criticas ao tratamento social e político surgem e complementam a história, como se a sua existência fosse impossível de exclusão - a dificuldade de desenvolvimento do povo negro começa desde o racismo estrutural, onde as oportunidades de renda são diminuídas através do setor privado, ou quando a própria política nos impede de conquistar espaço e estabilidade, que inclusive, é citado em um dos momentos escritos. E de fato acontece muito. Quando aqueles que desejam alcançar poder com a ajuda do povo, utiliza do discurso de saciar o sonho e o desejo de todos em troca de seu voto e quando chega ao poder, esquece totalmente das promessas que fez. É uma exploração sem fim. E os becos da memória de Conceição Evaristo, carrega, guarda e expõe todos os preconceitos, todas as explorações e toda miséria que nos assombram até os dias de hoje.

Você pode adquirir e entrar nos Becos da Memória de Conceição Evaristo clicando aqui.

22 setembro 2018

Livros para ler numa tarde #1

Photo by Laëtitia Buscaylet on Unsplash
Ultimamente estou lendo bastante, isso é muito bom, minha imaginação e criatividade vem fluindo grandiosamente, me fazendo ter uma produtividade enorme tanto no blog quanto nos que escrevo e tenho coluna. Preciso distrair a mente e não me deixar ser consumido pela ansiedade. E também ter conhecimento suficiente para não depositar confiança em pessoas erradas, principalmente neste ano de eleições (inclusive, #EleNão). São livros curtos - pelo menos para mim que engulo os livros facilmente haha! - e que podem ser lidos em um único dia caso esteja disposto e desocupado, mas recomendo que vá com calma, as história são boas e dão um gostinho de quero mais quanto mais procrastinar para retomar a leitura (bom, eu não fiz isso).


Contra Tempo

Henri B. Neto

Quantas vezes desejamos voltar no tempo e corrigir um erro presente? É exatamente isso que o personagem enfrenta durante toda história, o que era para ser somente a véspera do seu aniversário acaba tornando diversos dias repetidos, com os mesmos acontecimentos e coincidências - que ironicamente, já havia frisado. Apesar de ter sentido uma incrível falta de interesse, o autor aprofundou muito bem os personagens e fez com que os sentimentos de cada um fossem sentidos pelo leitor no decorrer da história, e depois, perceberá que todo aquele tédio era na verdade a curiosidade da história que o livro em si transmite. Dá para ler uma grande parte do livro em somente um dia - o que fiz, dá para perceber o quanto te anima para querer saber o decorrer da aventura que todos os personagens irão passar para poder ajudar o Nicolas Guerra a conquistar o que tanto deseja: o seu amado.


Alisson no País das Maravilhas

Liber Matteucci

Um gostinho de fantasia com a realidade geográfica, política e linguística brasileira. Dá uma sensação de estar em casa, de identificação, uma recordação passada. É uma crítica política indireta, que não defende e nem ofende. Leva Alisson para um passeio nas profundezas do asfalto, o-deixa igualado a todas as outras classes que dominam e são dominadas - incluindo a sua. É comprido, mas o contexto da história não é perdido em nenhum momento. A aventura é longa, todos os personagens trazem um toque especial e complementar ao todo, fazendo a sua imaginação transbordar e se aprofundar em todos os sentidos.




De Todos os Motivos

Vitor Castrillo

Que tal contar sua ideia de relacionamento na internet? Pedro vai, literalmente, recorrer a internet para saber qual decisão tomar em relação aos sentimentos que sente por Henrique que (muito fofo!) se dedica a sua felicidade. É um romance curto, atual e cheio de momentos fofos para esquentar o coração, ambos conseguiram me ganhar e trouxe uma curiosidade intensa para saber o que de fato ocorreria no final, com certeza não podeira ficar somente na amizade colorida que têm - o autor não poderia fazer isso comigo! -, trazendo-te para os seus íntimos e te fazendo torcer para que tudo dê certo. É profundo, consegue sentir a angustia do personagem para conquistar o seu amado aventureiro.

Qual a sua leitura atual?